Como curar a depressão


Quando está muito triste você desabafa com alguém? Sai para caminhar ou se tranca em casa para devorar sozinho uma barra de chocolate? Em quadros de depressão, essas respostas podem servir como pistas para melhorar o tratamento. Segundo os especialistas, alguns hábitos de vida, que não dependem de remédios e nem de dinheiro, podem atuar como aliados naturais no combate à doença: não se isolar em momentos críticos, por exemplo.


Em primeiro lugar, é preciso distinguir depressão de melancolia, alerta a psiquiatra Andrea Feijó de Mello, da Associação Brasileira de Psiquiatria. “O luto, por exemplo, não é depressão. É uma fase triste, mas após alguns meses deve ser superada. A depressão vem quando a tristeza passa a atrapalhar a vida social, o trabalho e a rotina”, explica ela. “São nessas fases que os hábitos de qualidade de vida devem ser seguidos. Eles são aliados para não se entregar a situações tristes”, completa o chefe do Departamento de Psicologia do Hospital Santa Paula, Luiz Gonzaga Leite.

Um estudo do Instituto de Psiquiatria (IPq) da Universidade de São Paulo (USP) feito recentemente na capital, com uma mostra de 1.464 pessoas acima de 18 anos, apontou que 45,9% dos voluntários tinham pelo menos um diagnóstico de transtorno mental – desses, 17% estavam ligados à depressão, de acordo com o coordenador do Grupo de Doenças Afetivas do IPq, Ricardo Alberto Moreno. Segundo ele, os hábitos positivos de vida não substituem o acompanhamento médico, mas podem atuar como coadjuvantes. “Não ter depressão não depende da vontade da pessoa”, diz o médico. É possível, contudo, investir em fatores protetores: ter momentos de lazer, dormir bem e não abusar de álcool. “A forma geral de tratamento para depressão é à base de medicação e psicoterapia, mas deve ser incrementada por hábitos saudáveis. São atitudes importantes e sem custo”, completa.

Qualquer pessoa pode ter depressão, mas a incidência é maior em alguns grupos. “Jovens adultos, sobretudo em torno dos 24 anos, são alvos, assim como as mulheres – são cerca de três depressivas para cada homem”, relata Moreno.
De acordo com o médico, a vulnerabilidade à depressão tem um forte componente genético, o que ajuda a explicar porque algumas pessoas desenvolvem a doença e outras não – mesmo estando expostas às mesmas situações. Estima-se que de 40% a 60% dos quadros tenham causas genéticas, são casos de quem tem histórico da doença na família”, esclarece. “Por exemplo: se colocarmos 100 pessoas sob forte estresse, apenas 17% delas ficará deprimida”, detalha.

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