Não acuse o irmão que parece mais abastado. Talvez seja simples escravo de compromissos.
Não condene o companheiro guindado à autoridade. Ë provável seja ele mero devedor da multidão.
Não inveje aquele que administra, enquanto você obedece. Muitas vezes, é um torturado.
Não menospreze o colega conduzido a maior destaque. A responsabilidade que lhe pesa nos ombros pode ser um tormento incessante.
Não censure a mulher que se apresenta suntuosamente. O luxo, provavelmente, lhe constitui amarga provação.
A mão que sabe e não faz é flor que não vira fruto.
Perfuma, mas não mata a fome...
Existe, mas não é essencial...
Ao contrário, a mão que executa o que sabe é ramo viridente...
E dela pendem saborosos pomos!
Mão cuja existência se justifica por si mesma.
Pai, perdoa-me pelas vezes que sentei ao seu lado, mas não ouvi o que dizias...
Pai, perdoa-me pela visita rápida de fim de tarde, antes do jantar de domingo...
Pai, perdoa-me pela pouca paciência, quando querias aconselhar-me nos negócios...
Pai, perdoa-me por achar que tuas idéias já estavam ultrapassadas...
Pai, perdoa-me por ignorar tua experiência de vida...
Você já escutou o som de uma plantinha quando cresce?
Já ouviu o som de uma flor que se abre à luz do sol?
Escutou o som da sombra da noite, quando envolve a terra na sua escuridão?
Já sentiu a leveza da aurora quando, ao amanhecer, pousa sobre o mundo a sua luz?
Se você ainda não se deu tempo para escutar a natureza... Ao menos captou o movimento de sua mente quando se abre para a compreensão de uma palavra?
Já percebeu a beleza de uma expressão carinhosa, quando desliza da mente até o coração?
É possível que toda esta realidade já esteja envolvendo sua vida.
Envelheço quando me fecho para as novas idéias e me torno radical...
Envelheço quando o novo me assusta e minha mente insiste no comodismo...
Envelheço quando meu pensamento abandona a casa e retorna sem nada...
Envelheço quando me torno impaciente, intransigente e não consigo dialogar...