Temores


Acalma, Jesus, meu coração aflito!...

Sinto medo pelos pressentimentos que muitas vezes acodem ao

meu pensamento, e temo pela sua realização!...

São angústias que despontam pelo comportamento alheio para
comigo, comportamento nem sempre fraterno ou gentil; são medos que surgem pela
paisagem terrena atual, tão conturbada e sem rumo como não se poderia supor;
são pequenas feridas na alma, que a vida insiste em multiplicar, a falar-me de
um tempo em o riso se tornará cada vez mais escasso e sem sentido!...

Ah, Jesus amado!... Como olhar para o mundo e não temer, me diz?
Como prosseguir acreditando que amanhã será melhor que hoje
se tudo o que eu vejo são lágrimas se alastrando entre gemidos assustados e
doridos, nos mesmos campos onde ontem tudo era perfume, paz e contentamento?
Para onde nos leva, Senhor?
É chegada a hora de deixarmos para trás nossa inocência,
nossas ilusões, nossos sonhos e seguir, ornados de valores outros, rumo ao novo
mundo que nos prometestes?
Mas a estrada será apenas sofrer e chorar?...
Por que não sabemos dar outro nome às tuas lições, aquelas
que nos libertam e engrandecem, nos salvam e nos iluminam?
Estou aqui hoje, Senhor, em busca de resposta e lenitivo ao
temores que tornam as minhas horas menos felizes e produtivos. Ajuda-me, Jesus,
a compreender melhor a insegurança e a vulnerabilidades destes dias humanos,
tão vulgarizados e descoloridos, para que eu não me precipite a julgar o que
não conheço ou que me ponha a medir o que não posso ajuizar ainda!...
Sabes bem o que nos é melhor e mais útil e certamente a
aflição que ronda-nos a estrada, é providência oportuna ao exercício da
vigilância, é recurso a que nos afastemos de tentações e armadilhas que nos
retardariam o passo e nos poriam ao largo do burilamento e da perfeição.
Abençoa-me o coração, Senhor, para que eu não desfaleça ou
me deixe imobilizar pelos temores e pelas perspectivas nebulosas da atualidade,
dá-me luz, paciência e segurança de espírito para que compreenda que é tempo de
seguir adiante, mesmo que entre gemidos, varando corajosamente as sombras do
presente, para que amanhã eu me encontre, asserenado, na companhia de meus
irmãos, no lugar feliz que verdadeiramente reservastes aos teus eleitos!
Assim seja!

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