Senhor


Quando alguém estiver em oração, referindo-se à caridade,
faze que esse alguém me recorde para que consiga
igualmente ajudar em teu nome.
Quantas criaturas me fitam indiferentes, e quantas me
abandonam no lixo imprestável.
Dizem que sou moeda insignificante, sem utilidade para
ninguém; contudo, desejo transformar=me na gota de
remédio para a criança doente,Atiram-me à distância, quando surjo de forma do pedaço
que sobra à mesa; no entanto aspiro a fazer ainda, a
alegria dos que choram de fome.
Muita gente considera que sou trapo velho para o
esfregão, mas anseio agasalhar os que atravessam a
noite de pele ao vento. Outros alegam que sou resto
de prato para a calha do esgoto, mas encontrando mãos
fraternas que me auxiliem, posso converter=me na sopa
generosa para alimento e consolo dos que jazem sozinhos,
no catre do infortúnio, refletindo na morte.
Afirmam que sou apenas migalha e, por isso, me desprezam.
Talvez não saibam que, certa vez, quando quiseste falar em
amor, narraste a história de uma drama perdida e,
reportando=te ao reino de Deus, tomaste uma semente de
mostrada por base de seu destino.
Faze, Senhor, que os homens me aproveitem nas obras do bem
eterno, e para que me compreendam a capacidade de trabalhar,
dize=lhes que, um dia, estivemos juntos em Jerusalém, no templo
de Salomão, entre a riqueza dos poderosos e as jóias faiscantes
do santuário, e conta-lhes que me viste e me abençoastes, nos
dedos mirrados de pobre viúva na feição de um vintém.
-Meimei-

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