Perdoar de Verdade


No livro “ A Imensidão dos Sentidos”, psicografado por Francisco do Espírito Santos, pelo espírito de Hammed, à pág. 177, cujo foco principal é a ” suscetibilidade ”, encontramos : “ Ressentimento é uma mágoa crônica. Naverdade, a palavra ressentir quer dizer “deixar-se sentir novamente” ou “voltar-se ao ressentimento passado” As criaturas suscetíveis às ofensas são aquelas que guardam rancor facilmente, remoendo o insulto e intensificando os efeitos debilitantes do ressentimento e da raiva. Quando estamos melindrados, experimentamos sucessivas vezes o mesmo sofrimento. Isso nos consome energeticamente e debilita nosso corpo físico e/ou espiritual. Perdoar é um ato de amor, em que reina a compreensão e a humildade. É um indício de amor a nós mesmos e aos outros. No momento em que perdoamos, nos identificamos com nosso próximo; admitimos a nossa falibilidade humana, reconhecendo nossas deficiências e nossa facilidade em errar. Perdoamos na medida em que desfazemos a ilusão de que somos perfeitos. Sabemos que o grau de conhecimento é resultante de nossa participação e interação nos processos do Universo. Nossas múltiplas existências nos levam gradativamente à autoconscientização de que todas as coisas estão interligadas. Não somos criaturas isoladas e sim parte de uma complexa rede da Vida. Estamos vivendo juntos, porém em diferentes níveis de amadurecimento e precisamos, todos, de muito perdão durante o processo evolutivo – precisamos perdoar a nós mesmos e aos outros. Admitir nossas falhas e não se ressentir é uma fórmula poderosa para remover os obstáculos à boa convivência. Não seria tempo de nos libertarmos dos “cárceres” do rancor e da mágoa? Certamente, parte de nossa dificuldade em pedir desculpas se deve ao problema que temos com a realidade interior. Para chegar ao momento de nos desculparmos, devemos antes de ser humildes ou honesto conosco, admitindo as nossas limitações e inadequações de seres espirituais em regime de crescimento e de permuta constante. A humildade e o perdão caminham juntos e nos levam às trilhas da compreensão dos equívocos e erros existenciais. Aliás, os enganos são oportunidades de aperfeiçoamento e amadurecimento para todos; são experiências para aprendermos a viver melhor. Costumamos confundir, erroneamente, humildade com servidão, submissão e covardia. Ela é, sobretudo, “a lucidez que nasce das profundezas do Espírito”. A humildade não está relacionada com o nosso aspecto exterior, mas com a maneira como percebemos as pessoas e as circunstâncias. É a habilidade de ver claramente, sem defesas ou distorções, pois nos limpa a visão e nos livra dos falsos valores. Com os “olhos humildes” entendemos que perdoar é atitude que requer mudança de nossas percepções, quantas vezes forem necessárias. (Como disse Jesus: “Setenta vezes sete...”)
Nossa visão atual é prejudicada pelas percepções de ontem sobre o nosso hoje, visto ficarmos quase sempre presos aos “fatos do passado”, permitindo que “lembranças amargas” escureçam o presente, mesmo anos depois de terem ocorrido. “Compreender perdoando” significa que somos capazes de mudar nossas velhas convicções e perceber novas evidências da verdade em nossas atitudes e nas alheias. Dessa forma, ficamos mais flexíveis e menos exigentes para com o comportamento dos outros. Quem compreende e perdoa possui uma “visão cósmica” da Vida”, porque ampliou sua consciência. Ela representa a faculdade de ver as criaturas e a criação como uma coisa só; expressa uma visão da existência estruturada sobre uma concepção de unidade. - Os indivíduos que “melindram-se com as críticas das quais suas comunicações podem ser objeto; se irritam com a menor contrariedade (...)” são considerados DOGMÁTICOS, quer dizer , pessoas que rejeitam categoricamente qualquer opinião ou parecer, cultivando um ponto de vista de “certeza absoluta”. – Não temos a habilidade de entender tudo de início, precisamos constantemente revisar nossa maneira de ver, a fim de ampliar conceitos. O dogmático não perdoa, porque lhe falta a clareza de visão que a humildade proporciona. Ele não vê o mundo em termos de relação e integração.”
Termina o capítulo, “SUSCETIBILIDADE” da seguinte forma: “ O ato de perdoar não requer a reabertura de velhas feridas, mas, sim, a sua cura. Transforma-nos em co-criadores da nossa realidade, pois tem relação com a capacidade de escolhermos como reagir às situações de nossa vida.”
Para encerrar o assunto, no momento, pois a espiritualidade não para de nos alertar à respeito do perdão, sempre batem na mesma tecla; ( como diria um caboclo na sua linguagem simples: “ Batem na cangalha para o burro entender” Vamos ler um recado que nos veio do grande Poeta Cassimiro de Abreu, através da psicografia de Chico Xavier: - 

BILHETE FRATERNO:

Meu amigo prossigamos
no trabalho dia a dia,
procurando com Jesus
a verdadeira alegria.

Se no caminho despontam
problemas a resolver,
perseveremos no bem
cumprindo o nosso dever.

A dor faz parte da vida...
Ninguém vive sem lutar,
mas é feliz quem já sabe
esquecer e perdoar.

Incompreensões? Dissabores?
Não desistas de servir.
Silencia e segue em frente
na construção do porvir.

Amanhã após a noite,
que a morte impõe aos teus passos,
encontrarás redivivo,
o Cristo a estender-te os braços.

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