O desespero sobre doentes terminais só lhe agrava o estado de espírito e as angústias próprias da hora tão espinhosa do desencarne, prendendo-o ainda mais fortemente aos laços da matéria. Os gritos estentóricos, os clamores desesperados e as inconformações aflitas da família terrena sobre o "morto" querido perturbam-no de modo a exaurir em suas energias perispirituais, tão necessárias para ele empreender a grande viagem de retomo à sua pátria sideral. Aliás, insistimos em dizer-vos que a lágrima nem sempre revela a dor sincera daquele que chora, pois o estado lacrimoso pode ser uma ação "mecânica", e isto se comprova pelas representações melodramáticas dos atores teatrais, que podem chorar convulsivamente sem participar realmente da emoção que fingem em público.
Há criaturas que, diante das tragédias ou dramas em que participam ou presenciam, mantêm os seus olhos secos de lágrimas; e, no entanto, a sua dor é imensurável. Outras choram facilmente diante das novelas radiofônicas xaroposas, do filme vulgar ou se comovem ante a notícia trágica dos jornais, mas depois não vacilam em protestar a dívida irrisória do amigo pobre, aborrecem os sogros enfermos, enxotam o mendigo exigente ou encarceram Pais idosos!
Sentir saudade é natural, quem ama sente saudades. Como dói o vazio que fica no lugar de quem se foi! No entanto, essa recordação e evocação que a saudade representa não podem causar uma paralisia emocional. Diante de tal situação, o que a vida está lhe solicitando: desprendimento, amadurecimento, uma reflexão mais profunda sobre os reais valores da existência terrena, para não agravar a partida do “Ente Querido”!

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