Nossas Mãos



Em verdade, há milhares de mãos maravilhosamente

limpas no jogo das aparências.


Mãos que se cobrem de joias valiosas,

mas que não se dispõem a partir um pão

com o faminto.


Mãos que se agitam, vivazes, na mímica

dos discursos comoventes, mas que não descem

ao terreno de ação para ministrar uma gota

de remédio ao doente.
Mãos que assinam decretos e portarias

importantes na administração pública,

recomendando a ordem e a virtude

para os governados, mas que não hesitam

em desmantelar os bens coletivos que lhes

foram confiados.


Mãos que escrevem páginas admiráveis de literatura,

sob a inspiração da gramática, ornada de tesouros

artísticos, e que jamais se preocupam com a prática

do verbalismo brilhante que produzem.


Mãos que se movimentam em acervos de moedas

e notas bancárias, exibindo poder, mas que

não cedem o mais leve empréstimo dos recursos

em que se demoram, sem pesados tributos ao irmão

que suporta espinhosos fardos em escuros caminhos.


Mãos que indicam aos outros o roteiro da salvação

e que escolhem a senda escura da maldição

para si mesmas.


Realmente, não te esqueças da higiene de tuas mãos,

contudo, guarda vigilância para com aquilo que fazes.


Nossas mãos constituem as antenas de amor que,

orientadas pelo Evangelho, podem converter a Terra

em domínio de luz.


Deixa que os teus braços se integrem no trabalho

da verdadeira fraternidade e serás, desse modo,

o instrumento vivo da Vontade Divina, onde estiveres,

em favor do reinado da paz e da alegria para

o engrandecimento do mundo inteiro.


Emmanuel/Chico Xavier

de Mãos Marcadas

Espíritos Diversos

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