A mediunidade como pagamento de Dívidas
Pela trilha espírita que caminhamos, sempre ouvimos dizer que a
mediunidade é ferramenta mais rápida para pagamento de dívida.
Conquanto concordemos em sua eficiência, não podemos esquecer que, à
ótica do espírita do século XXI, tal afirmação torna-se tênue simulacro
da real função desta bendita ferramenta de evolução.
Sim. Simulacro. Sempre que podemos tomamos esta frase como chavão
irretorquível, verdade espírita insofismável, sem espargirmos suas
benesses à nossa volta. Se assim fora, nas demais religiões, que não a
usam com a mesma intensidade, não existiria renovação cristã o que
sabemos não ser verdade.
A mediunidade é ferramenta e, o médium é vitral bendito na Casa do
Pai. Cada um diferente de todos os outros, pois não existe médium ou
mediunidade exatamente iguais. Cada qual brilha em tonalidades ímpares
compatíveis com a luz que a alimenta, o espírito. É-nos facilitadora,
sendo-nos mestra pulcra e disciplinadora bendita mas, não única.
A mediunidade cobra-nos nesse novo tempo abertura de nossos canais
intelectivos, afastando de nós o trabalho pela culpa, levando-nos a
trabalhá-la pelo sentimento. Ela deixa de ser solfejo de música
apassivadora, fazendo de nós, médiuns, artífices de nossa própria
evolução, não só pela vivência de experiências fenomênicas que apenas
alimentam o cérebro mas, igualmente, de ações amorosas, pela caridade
despretensiosa, magistral batuta a reger nosso caminhar na busca da
inefável imortalidade de nossa alma.
A mediunidade deixa de ser música de um executor único, o espiritismo,
para agregar-se, insofismavelmente aos páramos do ecumenismo,
aproximando Egos fechados por dogmas seculares, visando a libertação do
Cristo amor que há em todos os nós, moradores das várias moradas da casa
do Pai. Ela deixa de ser mera contabilizadora das relações passado
versus presente versus futuro, direcionando o Cristão atual à sua
inadiável auto-procura.
A mediunidade deixa de ser peça de salão, como ainda é hoje, para ser
escola bendita da alma, retirando-nos a cegueira do espetacular e do
miraculoso, inserindo, em nós, a fé racional, com bálsamo bendito a nos
conduzir às prímicias benditas do reino do Pai. Ela deixa de ser somente
ligação entre espíritos, para tornar-se elo bendito entre seres que são
potencialmente amorosos, mas que a dor , a angústia e a tristeza,
ousaram interferir na vontade do Pai.
A mediunidade deve ser sentida, antes de tudo. Embora possa ser forma
de pagarem-se dívidas é, principalmente, meio de se amar, de apurar-se
intelectual, de harmonizar-se intimamente e da ecumenização das relações
intercristãs para que, o homem possa enxergar, mais argutamente seu
futuro radiante, destino democrático, a todos concedido pelo Pai.
Paulo Viotti, com a ajuda dos amigos espirituais (B)
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