Quantas vezes terás ferido,
quando te propunhas auxiliar?
Muitos daqueles que povoam as penitenciárias, dariam a própria vida
para que o tempo recuasse, propiciando-lhes ensejo de se fazerem
vítimas ao invés de verdugos...
Prefeririam cegueira e mudez no instante de vazarem a acusação ou
extrema paralisia na hora da violência.
E qual acontece aos irmãos segregados no cárcere, quantas criaturas
carregam enfermidade e frustração nas grades mentais do arrependimento
tardio?
Trajam-se em figurino recente e conservam a bolsa farta, mas, por dentro
trazem desencanto e remorso por fogo e cinza no coração.
Supõem-se livres, no entanto, jazem presas, intimamente, na cela da angústia
em que enjaularam a própria alma, por não haverem calado a frase cruel no
momento oportuno...
Poderiam ter evitado o desastre moral que lhes dói na lembrança, contudo,
por se acomodarem à impaciência, atearam o incêndio que resultou
em loucura e destruição.
Não sirvas vinagre e fel à mesa da própria vida.
Onde surpreendas perturbação e sombra estende o socorro da paz e o
benefício da luz.
Compadece-te dos ingratos e desertores,
quanto te condóis dos que passam sob teus olhos, mutilados e infelizes.
Ninguém praticaria o mal se, antes,
lhe conhecesse o fruto amargoso.
Compreendamos para que sejamos compreendidos.
Agora, talvez, poderás censurar
os erros dos semelhantes.
Amanhã, porém, mendigarás o perdão
dos outros pelos teus desatinos.
Entrega a aflição de cada dia
ao silêncio de cada noite.
Lembra-te de que, por maiores tenham sido os desregramentos da
Humanidade na Terra, o Céu nunca fez coleções de nuvens para amaldiçoar
ou punir, mas sim, cada manhã, acende o brilho solar por mensagem bendita
de tolerância e de amor, endereçando aos homens a esperança infatigável
de Deus.
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