Servir para merecer

Meus irmãos, que a divina bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo 
seja louvada.

Pedir é mais que natural, no entanto, é razoável saber o que pedimos.

Habitualmente trazemos para o Espiritismo a herança do menor esforço,

haurida nas confissões religiosas que nos viciaram a mente no culto

externo excessivo, necessitando, assim, porfiar energicamente para que

a vocação do petitório sistemático ceda lugar ao espírito de luta com que

nos cabe aceitar os desafios permanentes da vida.


No intercâmbio com as almas desencarnadas, procedentes da esfera que

vos é mais próxima, sois surpreendidos por todos os tipos de queda

espiritual.

Sob tempestades de ódio e lágrimas, desesperação e arrependimento,

consciências culpadas ou entorpecidas vos oferecem o triste espetáculo

da derrota interior a que foram atiradas pelo próprio desleixo.

É que, soldados da evolução, esqueceram as armas do valor moral e da

vontade firme com que deveriam batalhar na Terra, na aquisição do próprio

aprimoramento, passando à condição parasitária daqueles que recebem

dos outros sem darem de si e acabando o estágio humano, à feição de

fantasmas da hesitação e do medo, a se transferirem dos grilhões da

preguiça e da pusilanimidade à escravidão àquelas Inteligências brutalizadas

no crime que operam, conscientemente, nas sombras.

Levantemo-nos para viver como alunos dignos do educandário que nos

recolhe!

Encarnados e desencarnados, unamo-nos no dinamismo do bem para situar,

sempre mais alto, a nossa oportunidade de elevação.

É inútil transmitir a outrem o dever que nos compete, porque o tempo

inflexível nos aguarda, exigindo-nos o tributo da experiência, sem o qual

não nos será possível avançar no progresso justo.

Todos possuímos escabroso pretérito por ressarcir, e, dos quadros vivos

desse passado delituoso, recolhemos compulsoriamente os reflexos de

nossos laços inferiores que, à maneira de raízes do nosso destino, projetam

sobre nós escuras reminiscências.

Todos temos aflições e dúvidas, inibições e dificuldades, e, sem elas,

certamente estaríamos na posição da criatura simples, mas selvagem e

primitivista, indefinidamente privada do benefício da escola.

Clareemos o cérebro no estudo renovador e limpemos o coração com o

esmeril do trabalho, e, então, compreenderemos que o Senhor nos

emprestou os preciosos dons que nos valorizam a existência, não para

rendermos culto às facilidades sem substância, engrossando a larga fileira

dos pedinchões e preguiçosos inveterados, mas sim para que sejamos

dignos companheiros da luz, caminhando ao encontro de seu amor e de

sua sabedoria, com os nossos próprios pés.

Saibamos, assim, aprender a servir para merecer.

-Batuíra -

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